Esporotricose Infantil: Relato De Caso
DOI:
https://doi.org/10.37497/JMRReview.v2i1.29Palavras-chave:
Infecções Fúngicas, Pediatria, Sporothrix spp, EsporotricoseResumo
Objetivo: Relatar um caso único de esporotricose infantil atendido em nosso Serviço. Método: Trata-se do relato do caso único de um paciente atendido no Serviço de Pediatria do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus – HUSF, localizado na cidade de Bragança Paulista - SP.
Relato do Caso: Tratou-se de uma paciente do sexo feminino, 11 anos de idade, com histórico de arranhadura de gato em sua mão direita sem melhora com antibioticoterapia prévia. Na admissão apresentava uma lesão ulcerosa na base do dedo, além de linfonodos aumentados no punho e antebraço que se estendiam até a região axilar, sem outros sinais ou sintomas além da lesão persistente. Após a coleta de material para exames laboratoriais, incluindo sorologias para investigar a causa da lesão, iniciou-se nova antibioticoterapia com clindamicina, gentamicina e azitromicina. Após 11 dias de internação descobriu-se que o gato da família apresentava esporotricose, o que levou levantou a suspeita diagnóstica de esporotricose linfocutânea na paciente em questão. Uma cultura fúngica foi realizada, e o tratamento foi então alterado para itraconazol e doxiciclina, com a paciente apresentando melhora da lesão a partir do início da nova terapia. Após 23 dias de internação, foi confirmado o diagnóstico de esporotricose linfocutânea com crescimento do fungo Sporothrix brasiliensis nas amostras coletadas. No momento da alta as feridas já estavam cicatrizadas e não havia resquícios de linfonodomegalias. A paciente continuou o tratamento com itraconazol, e realizou exames de acompanhamento para monitorar sua saúde hepática e renal, que não apresentaram alterações.
Conclusão: Em muitos casos, na presença de gatos na residência dos pacientes, a infecção fúngica provocada por Sporothrix spp., em especial Sporothrix brasiliensis, pode ser confundida com a doença da arranhadura do gato, por sua vez provocada pela bactéria Bartonella henselae. Tal confusão pode levar a prescrição inadequada de antibióticos, o que acaba permitindo a evolução da infecção. O fator crucial para o diagnóstico e correto tratamento é a identificação do agente fúngico, e o início do tratamento com antifúngicos, incluindo o itraconazol, usualmente traz bons resultados e total remissão da infecção.
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