Análise De Toxicidade Em Pacientes Oncogeriátricos Atendidos No Hospital Universitário São Francisco Na Providência De Deus
DOI:
https://doi.org/10.37497/JMRReview.v2i1.45Palavras-chave:
Oncologia, Geriatria, Toxicidade, ManejoResumo
Introdução: A evolução demográfica no Brasil está imersa em uma dinâmica de expressivo envelhecimento populacional. A oncologia geriátrica, nesse contexto, se configura como um ramo vital da medicina, dada a preponderância de patologias oncológicas nessa faixa etária. Objetivo: Realizar uma análise de toxicidade em pacientes oncogeriátricos atendidos no Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus (HUSF), Bragança Paulista - SP.
Método: Os prontuários de pacientes com 65 anos ou mais que foram submetidos a regimes de quimioterapia no período estipulado foram revisados. Foram incluídos no estudo pacientes que realizaram pelo menos um ciclo de quimioterapia, com dados clínicos e de tratamento adequada e suficientemente documentados nos prontuários médicos.
Resultados: O estudo em tela contemplou um universo de 38 pacientes, subdivididos em dois principais grupos de tratamento: 24 pacientes em regime paliativo, 12 em tratamento adjuvante e 2 em tratamento neoadjuvante. A avaliação da toxicidade, um dos pontos cruciais desta pesquisa, trouxe à luz dados relevantes sobre o perfil e a tolerabilidade do tratamento em população idosa, evidenciando nuances que desembocam em importantes reflexões clínicas e práticas. Foi identificado que a toxicidade grau 1 foi universalmente presente, acometendo todos os 38 pacientes. Este indicativo mostra a inevitabilidade de certa medida de toxicidade, mesmo em um grau mínimo, durante os regimes quimioterápicos em populações mais velhas. Em relação à toxicidade de grau 2, esta foi observada em 22 pacientes, enquanto a toxicidade de grau 3 foi identificada em 3 pacientes.
Conclusão: Esta discussão visa incitar o desenvolvimento de estratégias que se ancoram não apenas na doença a ser tratada, mas também na singularidade do paciente idoso, com suas capacidades, desafios, e necessidades. O futuro do manejo da toxicidade em oncogeriatria pode muito bem residir em um modelo que, enquanto científica e clinicamente rigoroso, seja também caracterizado por uma profunda humanização e individualização do cuidado.
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