Episódio Depressivo Grave Com Sintomas Psicóticos E Dificuldade De Acesso À Eletroconvulsoterapia Resultando Em Internação Prolongada: Relato De Caso
DOI:
https://doi.org/10.37497/JMRReview.v2i1.30Palavras-chave:
Psiquiatria, Transtorno Depressivo Maior, Psicose, Depressão Psicótica, EletroconvulsoterapiaResumo
Objetivo: Relatar o caso de um paciente com episódio depressivo grave e sintomas psicóticos, que por dificuldade de acesso à ECT gerou a internação prolongada.
Método: Trata-se de um paciente atendido no Serviço de Psiquiatria do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus – HUSF, localizado na cidade de Bragança Paulista - SP.
Relato do Caso: Paciente do sexo masculino, 57 anos, aposentado, com sintomas de isolamento social, anedonia, perda de peso e diminuição intensa da ingestão hídrica. Apresentava delírio misto, inapetência e alteração do sono, sendo encaminhado a um serviço especializado após piora com o tratamento inicial. Por conta de sua internação prolongada e baixa resposta ao tratamento (inicialmente com citalopram, levomepromazina e quetiapina), a equipe de psiquiatria solicitou transferência para um Serviço com ECT, porém, sem sucesso. Durante a internação, o regime terapêutico foi alterado para uma combinação de venlafaxina e quetiapina, sendo a última posteriormente substituída por risperidona. Houve melhora gradual do quadro, com ganho de peso e alta após 53 dias. No acompanhamento pós-alta, foi mantida a estabilidade do quadro e o uso regular das medicações, com retorno completo da funcionalidade.
Conclusão: Caso esteja disponível, a ECT pode ser uma ótima ferramenta para tratamento de episódios depressivos graves, principalmente com sintomas psicóticos associados, especialmente em pacientes com resistência aos tratamentos farmacológicos. Seu uso costuma diminuir o tempo de internação e devolver a qualidade de vida aos pacientes. O caso apresentado neste trabalho é um exemplo pontual de como a ausência da ECT provocou um aumento no tempo de internação de um paciente com depressão psicótica, afetando negativamente sua rotina e reduzindo sua qualidade de vida, além de gerar elevação dos custos decorrentes da internação prolongada.
Referências
ALI, S. A. et al. Electroconvulsive Therapy and Schizophrenia: A Systematic Review. Molecular Neuropsychiatry, v. 5, n. 2, p. 75–83, abr. 2019. DOI: https://doi.org/10.1159/000497376
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, D.; ASSOCIATION, A. P. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. American psychiatric association Washington, DC, 2013. v. 5 DOI: https://doi.org/10.1176/appi.books.9780890425596
BROMET, E. et al. Cross-national epidemiology of DSM-IV major depressive episode. BMC medicine, v. 9, p. 90, 26 jul. 2011. DOI: https://doi.org/10.1186/1741-7015-9-90
DE AQUINO, J. P.; LONDONO, A.; CARVALHO, A. F. An update on the epidemiology of major depressive disorder across cultures. Understanding Depression: Volume 1. Biomedical and Neurobiological Background, p. 309–315, 2018. DOI: https://doi.org/10.1007/978-981-10-6580-4_25
DE SMET, C. J.; SABBE, B.; OLDENBURG, J. F. E. The Effect of Electroconvulsive Therapy on Hypoperfusion in Psychotic Bipolar Depression: A Case Study. The journal of ECT, v. 34, n. 2, p. 124–126, jun. 2018. DOI: https://doi.org/10.1097/YCT.0000000000000487
DUBOVSKY, S. L. et al. Psychotic Depression: Diagnosis, Differential Diagnosis, and Treatment. Psychotherapy and Psychosomatics, v. 90, n. 3, p. 160–177, 2021. DOI: https://doi.org/10.1159/000511348
FLINT, A. J. et al. Sustaining remission of psychotic depression: rationale, design and methodology of STOP-PD ΙΙ. BMC Psychiatry, v. 13, n. 1, p. 38, 25 jan. 2013. DOI: https://doi.org/10.1186/1471-244X-13-38
GLOBAL BURDEN OF DISEASE STUDY 2013 COLLABORATORS. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 301 acute and chronic diseases and injuries in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet (London, England), v. 386, n. 9995, p. 743–800, 22 ago. 2015.
HEIM, C.; BINDER, E. B. Current research trends in early life stress and depression: review of human studies on sensitive periods, gene-environment interactions, and epigenetics. Experimental Neurology, v. 233, n. 1, p. 102–111, jan. 2012. DOI: https://doi.org/10.1016/j.expneurol.2011.10.032
HERMIDA, A. P. et al. Electroconvulsive Therapy in Depression: Current Practice and Future Direction. The Psychiatric Clinics of North America, v. 41, n. 3, p. 341–353, set. 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.psc.2018.04.001
HIRSCHFELD, R. M. A. The epidemiology of depression and the evolution of treatment. The Journal of Clinical Psychiatry, v. 73 Suppl 1, p. 5–9, 2012. DOI: https://doi.org/10.4088/JCP.11096su1c.01
HOWELLS, D. et al. Electroconvulsive Therapy Reverses Cerebral Hypoperfusion in a Patient With Psychotic Depression and Catatonia. The journal of ECT, v. 38, n. 2, p. 141–143, 1 jun. 2022. DOI: https://doi.org/10.1097/YCT.0000000000000836
KALIORA, S. C.; ZERVAS, I. M.; PAPADIMITRIOU, G. N. Electroconvulsive therapy: 80 years of use in psychiatry. Psychiatrike = Psychiatriki, v. 29, n. 4, p. 291–302, 2018. DOI: https://doi.org/10.22365/jpsych.2018.294.291
KESSLER, R. C. et al. Lifetime prevalence and age-of-onset distributions of DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey Replication. Archives of General Psychiatry, v. 62, n. 6, p. 593–602, jun. 2005. DOI: https://doi.org/10.1001/archpsyc.62.6.593
KESSLER, R. C.; BROMET, E. J. The epidemiology of depression across cultures. Annual Review of Public Health, v. 34, p. 119–138, 2013. DOI: https://doi.org/10.1146/annurev-publhealth-031912-114409
KUEHNER, C. Why is depression more common among women than among men? The Lancet. Psychiatry, v. 4, n. 2, p. 146–158, fev. 2017. DOI: https://doi.org/10.1016/S2215-0366(16)30263-2
MALHI, G. S. et al. Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists clinical practice guidelines for mood disorders: major depression summary. The Medical Journal of Australia, v. 208, n. 4, p. 175–180, 5 mar. 2018. DOI: https://doi.org/10.5694/mja17.00659
MALHI, G. S.; MANN, J. J. Depression. Lancet (London, England), v. 392, n. 10161, p. 2299–2312, 24 nov. 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31948-2
MONROE, S. M.; HARKNESS, K. L. Major Depression and Its Recurrences: Life Course Matters. Annual Review of Clinical Psychology, v. 18, p. 329–357, 9 maio 2022. DOI: https://doi.org/10.1146/annurev-clinpsy-072220-021440
MORA, C. et al. Blood biomarkers and treatment response in major depression. Expert Review of Molecular Diagnostics, v. 18, n. 6, p. 513–529, jun. 2018. DOI: https://doi.org/10.1080/14737159.2018.1470927
NESTLER, E. J.; HYMAN, S. E. Animal models of neuropsychiatric disorders. Nature Neuroscience, v. 13, n. 10, p. 1161–1169, out. 2010. DOI: https://doi.org/10.1038/nn.2647
NORMARK, S.; GBYL, K.; VIDEBECH, P. Continuation electroconvulsive therapy for depression. Ugeskrift for Laeger, v. 183, n. 51, p. V05210435, 20 dez. 2021.
RASK, O. et al. Electroconvulsive therapy for manic state with mixed and psychotic features in a teenager with bipolar disorder and comorbid episodic obsessive-compulsive disorder: a case report. Journal of Medical Case Reports, v. 11, n. 1, p. 345, 12 dez. 2017. DOI: https://doi.org/10.1186/s13256-017-1508-8
ROTHSCHILD, A. J. Challenges in the treatment of major depressive disorder with psychotic features. Schizophrenia Bulletin, v. 39, n. 4, p. 787–796, jul. 2013. DOI: https://doi.org/10.1093/schbul/sbt046
VAN ROOIJEN, G. et al. Treating depressive episodes or symptoms in patients with schizophrenia. CNS spectrums, v. 24, n. 2, p. 239–248, abr. 2019. DOI: https://doi.org/10.1017/S1092852917000554
VOS, T. et al. Years lived with disability (YLDs) for 1160 sequelae of 289 diseases and injuries 1990-2010: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010. Lancet (London, England), v. 380, n. 9859, p. 2163–2196, 15 dez. 2012.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). International Statistical Classification of Diseases and related health problems: Alphabetical index. World Health Organization, 2004. v. 3.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). International classification of diseases for mortality and morbidity statistics (11th Revision). , 2018.
YRONDI, A. et al. Electroconvulsive therapy, depression, the immune system and inflammation: A systematic review. Brain Stimulation, v. 11, n. 1, p. 29–51, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.brs.2017.10.013

Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
O(s) autor(es) autoriza(m) a publicação do texto na da revista;
O(s) autor(es) garantem que a contribuição é original e inédita e que não está em processo de avaliação em outra(s) revista(s);
A revista não se responsabiliza pelas opiniões, idéias e conceitos emitidos nos textos, por serem de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es);
É reservado aos editores o direito de proceder a ajustes textuais e de adequação às normas da publicação.
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre) em http://opcit.eprints.org/oacitation-biblio.html