Síndrome De Body Stalk: Relato De Caso

Autores

  • Maria Júlia Pereira Leme Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus – HUSF. Bragança Paulista, SP
  • Attilio Brisighelli Neto Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus – HUSF. Bragança Paulista, SP

DOI:

https://doi.org/10.37497/JMRReview.v1i1.14

Palavras-chave:

Síndrome de Body Stalk, Relato de Caso, Obstetrícia, Ginecologia

Resumo

Introdução: A síndrome de Body Stalk (SBS) é uma condição rara com uma frequência relatada de um caso para cada 31.000 gestações, e é caracterizada por malformações congênitas graves, principalmente toracosquise, abdominosquise, defeitos nos membros e exencefalia. Sua etiologia exata é desconhecida e nenhum fator teratogênico foi descrito até o momento. Além disso, relatos de recorrência familiar sugerem a possibilidade de origem genética da condição.

Objetivo: Relatar um caso de SBS atendido em nosso Serviço. Relato de caso: Tratou-se de uma paciente de 23 anos, sem comorbidades e primigesta, que foi encaminhada ao pré-natal de alto risco por conta de uma translucência nucal de 2,5 mm, observada por uma ultrassonografia (USG) morfológica realizada com idade gestacional (IG) de 11 semanas e 4 dias. Duas USGs posteriores demonstraram sinais sugestivos e crescentes de SBS. A paciente entrou espontaneamente em trabalho de parto com IG de 33 semanas e 6 dias, com o feto em óbito desde seu desprendimento cefálico. Após o nascimento, foram constatadas múltiplas malformações confirmando a SBS. A mãe recebeu os cuidados puerperais, tendo alta hospitalar no dia seguinte.

Conclusão: A SBS é uma malformação rara e letal, justificando relatos de casos que contribuem para a educação médica continuada em Ginecologia e Obstetrícia. Como visto no caso aqui relatado, a USG é importante na hipótese de diagnóstico precoce da SBS, permitindo que a gestante escolha se deseja interromper ou não sua gravidez. Também existem evidências de que a ressonância magnética fetal poderia fornecer bases para um diagnóstico pré-natal da síndrome durante o começo do segundo semestre gestacional, bem como a capacidade diagnóstica de USGs para fetos com IG de 11 e 12 semanas.

Biografia do Autor

Maria Júlia Pereira Leme, Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus – HUSF. Bragança Paulista, SP

Serviço de Ginecologia e Obstetrícia. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO SÃO FRANCISCO NA PROVIDÊNCIA DE DEUS – HUSF. Bragança Paulista, SP.

Attilio Brisighelli Neto, Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus – HUSF. Bragança Paulista, SP

Serviço de Ginecologia e Obstetrícia. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO SÃO FRANCISCO NA PROVIDÊNCIA DE DEUS – HUSF. Bragança Paulista, SP.

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Publicado

2022-11-22

Como Citar

Leme, M. J. P., & Neto, A. B. (2022). Síndrome De Body Stalk: Relato De Caso. Journal of Medical Residency Review, 1(1), e014. https://doi.org/10.37497/JMRReview.v1i1.14

Edição

Seção

Artigos