Papel do anestesiologista na prevenção do retorno à circulação fetal em anestesias pediátricas: Revisão narrativa da literatura
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Palavras-chave

Anestesia Pediátrica
Circulação Fetal
Hipertensão Pulmonar
Recém-Nascido
Fisiologia Neonatal
Manejo Anestésico

Como Citar

Russo, L. F. F., & Piccinin, C. I. (2025). Papel do anestesiologista na prevenção do retorno à circulação fetal em anestesias pediátricas: Revisão narrativa da literatura. Journal of Medical Residency Review, 4(00), e084. https://doi.org/10.37497/JMRReview.v4i00.84

Resumo

Introdução: A anestesia pediátrica, especialmente em recém-nascidos, exige compreensão aprofundada das particularidades fisiológicas que marcam a transição da circulação fetal para a neonatal. Nesse período, alterações mínimas na ventilação, oxigenação ou resistência vascular pulmonar podem desencadear retorno à circulação fetal, evento potencialmente fatal e intimamente relacionado ao manejo anestésico.

Objetivo: Analisar os mecanismos fisiológicos envolvidos no retorno à circulação fetal durante anestesias pediátricas e descrever o papel do anestesiologista na prevenção desse fenômeno por meio de estratégias de monitorização, escolha de fármacos e intervenções perioperatórias.

Método: Trata-se de revisão narrativa da literatura realizada nas bases PubMed, Scielo e Google Scholar, utilizando descritores em português e inglês relacionados à fisiologia neonatal, hipertensão pulmonar persistente, retorno à circulação fetal e manejo anestésico em pediatria. Foram incluídos estudos clínicos, experimentais, revisões e diretrizes dos últimos 20 anos envolvendo recém-nascidos e lactentes submetidos à anestesia.

Resultados: A literatura demonstra que o retorno à circulação fetal é precipitado por fatores como hipóxia, hipercapnia, acidose, hipotermia, dor e aumento da resistência vascular pulmonar. Esses desencadeadores podem levar a disfunção aguda do ventrículo direito, desvio do septo interventricular, queda do débito cardíaco e colapso hemodinâmico. Estratégias eficazes incluem manutenção da normotermia, adequada ventilação e oxigenação, correção de distúrbios ácido-base, prevenção de estímulos nociceptivos e uso individualizado de agentes anestésicos com mínimo impacto sobre a vasoconstrição hipóxica e hemodinâmica pulmonar.

Conclusão: O anestesiologista desempenha papel crucial na prevenção do retorno à circulação fetal, devendo reconhecer precocemente fatores de risco e adotar condutas que preservem a estabilidade cardiorrespiratória. A sistematização dessas estratégias contribui para reduzir morbimortalidade perioperatória em neonatos e lactentes.

https://doi.org/10.37497/JMRReview.v4i00.84
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